Internacional

El Niño ameaça agricultura e pode reduzir produção de alimentos no mundo

Programa Mundial de Alimentos aponta 81% de chance de um episódio muito intenso do fenômeno climático, com impactos severos sobre a segurança alimentar em diversas regiões do mundo.

Um episódio de El Niño muito forte poderá agravar significativamente a insegurança alimentar global e levar mais 49 milhões de pessoas à situação de fome aguda até o fim do próximo ano, segundo alerta divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

De acordo com o relatório, existe 81% de probabilidade de que o fenômeno atinja intensidade muito elevada, fazendo com que as temperaturas da superfície do Oceano Pacífico alcancem os níveis mais altos desde, pelo menos, 1982. Caso a previsão se confirme, este poderá ser o evento de El Niño mais intenso registrado desde 1950.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica os padrões climáticos em diversas partes do planeta, provocando secas prolongadas em algumas regiões e chuvas intensas em outras.

Segundo o PMA, esses efeitos comprometem a produção agrícola, reduzem a disponibilidade de alimentos, pressionam os preços e ampliam o risco de crises humanitárias, especialmente em países mais vulneráveis.

Regiões mais ameaçadas

O relatório destaca que a África Austral e a América Central estão entre as áreas com maior risco de agravamento da insegurança alimentar.

Além dessas regiões, atrasos nas monções em partes da Ásia, secas prolongadas e mudanças no regime de chuvas podem comprometer safras agrícolas, reduzir a renda de pequenos produtores e aumentar a dependência de ajuda humanitária.

Fome pode atingir níveis históricos

Com a intensificação do fenômeno, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar aguda poderá alcançar aproximadamente 274 milhões em 45 países, segundo as projeções do Programa Mundial de Alimentos.

A agência alerta que conflitos armados, inflação elevada, crises econômicas e eventos climáticos extremos já pressionam os sistemas alimentares em diversas partes do mundo. O El Niño poderá agravar ainda mais esse cenário.

ONU pede ação antecipada

O Programa Mundial de Alimentos defende que governos e organizações internacionais reforcem investimentos em ações preventivas para reduzir os impactos do fenômeno climático.

Entre as medidas recomendadas estão o fortalecimento dos programas de assistência alimentar, apoio aos agricultores, ampliação dos sistemas de monitoramento climático e preparação das comunidades mais vulneráveis para enfrentar períodos de seca e perdas na produção agrícola.

Especialistas destacam que respostas rápidas podem reduzir significativamente os efeitos do El Niño sobre a produção de alimentos e evitar que milhões de pessoas entrem em situação de fome aguda nos próximos meses.

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