Internacional

Acordo nuclear dos EUA com Arábia Saudita gera preocupação internacional

Pacto prevê construção de reatores nucleares em território saudita com tecnologia norte-americana e permite enriquecimento de urânio para fins civis

Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um acordo de cooperação em energia nuclear civil que prevê a construção de reatores no território saudita utilizando tecnologia norte-americana. O pacto também permite que o reino desenvolva atividades de enriquecimento de urânio para fins civis.

O acordo representa um avanço nas negociações mantidas entre os dois países há anos e envolve um programa de longo prazo para ampliar a capacidade energética da Arábia Saudita. As tratativas foram conduzidas durante diferentes administrações norte-americanas, mas somente agora chegaram a um entendimento.

Segundo informações divulgadas pela Reuters e reproduzidas pela Agência Brasil, o acordo firmado pelo governo do presidente Donald Trump não exige que a Arábia Saudita adote o chamado Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O mecanismo permite inspeções mais amplas e sem aviso prévio em locais que não tenham sido declarados oficialmente.

A ausência dessa exigência gerou preocupação entre especialistas em não proliferação nuclear. Organizações e analistas temem que a possibilidade de enriquecimento de urânio, associada a mecanismos de fiscalização considerados menos rigorosos, possa aumentar os riscos de uma eventual corrida nuclear no Oriente Médio.

O acordo também estabelece uma diferença em relação ao entendimento firmado anteriormente entre os Estados Unidos e os Emirados Árabes Unidos. No caso dos Emirados, o país abriu mão do enriquecimento de urânio e do reprocessamento de combustível nuclear, em um compromisso considerado referência internacional em medidas de não proliferação.

Acordo de longo prazo

A cooperação entre Washington e Riad deverá envolver investimentos bilionários e a participação de empresas norte-americanas no desenvolvimento do programa nuclear saudita. A expectativa é que companhias do setor possam fornecer tecnologia e equipamentos para a construção de futuras usinas.

A Arábia Saudita afirma que o programa tem como objetivo diversificar sua matriz energética e ampliar a produção de eletricidade, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis. O país também busca desenvolver novas tecnologias e fortalecer sua infraestrutura energética.

O acordo, no entanto, ainda enfrenta etapas políticas nos Estados Unidos. O pacto deverá passar por análise do Congresso norte-americano, onde parlamentares poderão avaliar os termos da cooperação e os mecanismos de segurança e fiscalização previstos.

Impacto geopolítico

A decisão ocorre em um momento de forte tensão no Oriente Médio e aumenta a importância estratégica da relação entre Estados Unidos e Arábia Saudita. O desenvolvimento de capacidade nuclear civil por Riad também é acompanhado de perto devido às preocupações relacionadas ao programa nuclear do Irã.

Para especialistas, o acordo pode representar uma mudança importante na política norte-americana de cooperação nuclear e ter consequências para o equilíbrio de poder na região.

Apesar das críticas, os governos dos dois países defendem que o programa terá finalidade pacífica e contribuirá para a diversificação energética e o desenvolvimento econômico da Arábia Saudita.

Fonte: Agência Brasil/Reuters.

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