Dor de dente afasta trabalhadores e reduz produtividade no Amazonas
A dor de dente, muitas vezes tratada como um problema simples, tem causado impactos sérios na rotina de trabalhadores amazonenses. Além das noites mal dormidas e do sofrimento físico, especialistas alertam que problemas bucais podem provocar faltas no trabalho, queda de produtividade e até agravamentos que levam pacientes a procurar atendimento de urgência.
Estudos nacionais apontam que a dor dentária já é uma das causas de absenteísmo no ambiente profissional.
Uma pesquisa publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva revelou que 43% dos trabalhadores entrevistados relataram dor de dente e 23,4% chegaram a faltar ao trabalho por conta do problema.
No Amazonas, o cenário preocupa principalmente pela dificuldade de acesso aos serviços odontológicos em algumas regiões. Levantamentos sobre saúde bucal na região apontam que muitos pacientes só procuram ajuda quando a situação já está grave.
O cirurgião-dentista Dr. Paulo Grandal explica que os impactos vão muito além da dor física e afetam diretamente a saúde emocional e a qualidade de vida dos pacientes.
“Eu vejo diariamente pacientes que chegam extremamente abalados por causa de problemas odontológicos. A dor de dente interfere diretamente no sono, na alimentação, no humor e até na produtividade da pessoa. Tem paciente que passa noites sem dormir, falta ao trabalho e começa a desenvolver ansiedade e irritação por conta da dor constante”, destacou o especialista.
Segundo o dentista, muitos pacientes também sofrem emocionalmente devido aos problemas bucais.
“Além disso, muitos deixam de sorrir e acabam sofrendo emocionalmente também. A saúde bucal vai muito além da estética, ela está totalmente ligada à qualidade de vida”, afirmou.
Outro problema frequente é a automedicação. Muitas pessoas recorrem a analgésicos e anti-inflamatórios sem orientação profissional na tentativa de aliviar a dor temporariamente.
“Esse é um problema muito comum. Muitas pessoas tentam aliviar a dor tomando remédios por conta própria, mas isso pode mascarar o problema e fazer a infecção evoluir silenciosamente. Às vezes a dor diminui temporariamente, mas a causa continua ali”, alertou Dr. Paulo Grandal.
O especialista também chama atenção para os riscos do uso inadequado de medicamentos.
“O uso inadequado de antibióticos e anti-inflamatórios pode trazer riscos sérios, como resistência bacteriana, intoxicação e problemas gástricos. Dor de dente sempre precisa ser avaliada por um dentista para tratar a causa, e não apenas o sintoma”, explicou.
Em alguns casos, uma simples dor de dente pode evoluir para situações graves e até hospitalares.
“Quando o paciente começa a apresentar inchaço no rosto, febre, dificuldade para abrir a boca, engolir ou respirar, isso já pode indicar uma infecção grave. Muitas pessoas não imaginam, mas infecções odontológicas podem se espalhar rapidamente e até colocar a vida do paciente em risco”, ressaltou.
Pesquisas sobre saúde ocupacional indicam que doenças bucais podem representar de 9% a 27% das causas de absenteísmo no ambiente de trabalho, além de contribuírem para o chamado “presenteísmo”, quando o trabalhador comparece ao serviço, mas sem condições físicas ou emocionais de manter o rendimento adequado.
Para o especialista, a prevenção ainda é a principal ferramenta para reduzir os impactos da falta de atendimento odontológico.
“Eu acredito muito que a prevenção é o caminho mais inteligente e mais humano. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, menores são os riscos, os custos e o sofrimento”, concluiu Dr. Paulo Grandal.
